quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Vazio

A casa parece vazia. 

Há um silêncio que se me entranha na alma. 
Há um riso que falta, uma voz que está ausente. 
Faltam-me as luzes acesas pela casa. 
Falta-me a confusão de cabos na sala.
A cama está gelada. 
Gelada e quieta. 
Sei que hoje vou passar a noite coberta. 
Sei que não vou perder nada durante a noite.
Porque me falta o riso antes de dormir. 
Porque me falta a tua voz.
Vou acordar de madrugada. 
Vou acordar em silêncio e numa casa arrumada. 
Sei que não vou ouvir o meu nome atravessar a casa  de manhã.
E o gelo da tua ausência vai ser muito mais sentido.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A vida no sítio certo

A vida nunca é como nos contos de fadas. 
Nunca o é porque nos contaram que o príncipe encantado irá aparecer um dia, que o pote de ouro chegará a nós no fim da licenciatura e porque os unicórnios são seres alados, raros e perfeitos.
Acomodámo-nos. 
Nunca pegámos em nós. 
Esquecemo-nos de lutar por aquilo que nos faz melhores e maiores.
O dia em que a tua alma decide que és a coisa mais importante do universo é o dia em que ela se encontra e se torna maior.
No dia em que pões tudo o que és e o que queres ser em primeiro lugar, os príncipes encantados encantam-se por ti.
O dia em que a perseguição pelo pote de ouro deixa de existir e arriscas seguir outro caminho que não o trilhado por todos, é quando encontramos aquele cume alto que te permite ver mais longe e decidir o teu caminho. 
E os unicórnios.. bem esses são os seres alados que te mantêm a imaginação activa e que te relembram que a imaginação é o dom mais importante que tens. 
A vida é única. 
A sede de viver faz dela a coisa mais preciosa que podes ostentar. 
Mete tudo o que queres ser e fazer na chama que brilha no teu coração e na ambição de querer ser melhor e chegar mais longe... o caminho, esse, abrir-se-à perante ti. 
Sê, de uma vez por todas, o unicórnio que és: um ser raro e único em aprendizagem e aperfeiçoamento constantes. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Incógnita

Revejo-te. 
Nas horas intermináveis e no descomplexo do tempo os teus lábios presenteiam-me com a sua memória. 
A carne e o espirito confundem-se num afastamento fingido. Não tenho alternativa. 
Imagino-te comigo e dou informações erradas ao cérebro. O coração queixa-se em retaliação.
Não sei como te irei encaixar na minha vida, também não acho que quero saber. 
A paz da tua existência é suficiente.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Em fogo



Há um mote.
Há um desejo reprimido, um momento rejeitado. 
Um momento de rejeição.
A ânsia reside na distância e no espaço que vai de mim a ti o tempo não dá tréguas. 
Há uma imagem...há muitas imagens. 
Desejos que viajam como se não existisse espaço.
Sentimentos básicos aparecem sob uma forma primária e a fome de nós é insaciável. 
Alterações de sistema como se houvessem alterações na rede e o cérebro decidisse entrar em colapso com excesso de informação...
Adormecer com o pensamento num lugar mais quente e acordar como se a noite não tivesse passado e o sono não me tivesse premiado. 
E no retorno ao elemento criador do mundo os nossos corpos ficam em fogo enquanto nas nossas almas a chama acende sensações desconhecidas.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Piano

Uma cadência de sons faz o meu sangue reagir a cada nota como se fosse um toque solto... um beijo... 
O coração acelera no vício da repetição.
Sinto um arrepio na espinha e cada centímetro da minha pele a eriçar-se. 
Há um sabor antigo no ar, 400 anos talvez...
No encaixe perfeito de dois pares de lábios há um outro mundo em que o meu olhar é sentido e cada variação da minha respiração é incitada. 
Os teus dedos trespassam e queimam... 
O toque é doce e lento.... 
A emoção é primária e grotesca. 
Esqueço-me de como respirar. Esqueço o controlo. 
Mais uma cadência de notas e não consigo decidir entre arrancar-te do piano ou continuar a ser arrastada na dança das tuas mãos...
Enrosco-me em ti e deixo a minha cabeça descansar no teu ombro. 
Fecho os olhos e o teu cheiro entra em mim... 
Não consigo parar...as notas estão agora ligadas à minha alma. 

Flying

Sinto-me dançar.
Este é um bailado que não termina imerso em sons e sensações constantes de felicidade.
Os meus pés tocam parcamente o chão e toda eu sou salsa, bailado e valsa.
Um rosto vincado por um sorriso constante e um brilho extasiante no olhar: não é só o teu mundo que ganhou cor...
Consigo voar e agora o raio de visão alarga-se até ao infinito... 
Vejo mais longe. Vejo mais além.
Estás no meu mundo não o restringindo... . 
Estranha esta liberdade impressa na minha alma transcendendo cada limitação e dando sentido à minha existência.
Sinto o tempo como vento a correr pelo meu corpo beijado sofregamente pelo calor do sol.
Regozijo na tua presença ausente. 
A vida não acabou. Está apenas a começar.

domingo, 8 de setembro de 2013

Preciso-te

Olho a linha do oceano.

O meu corpo é trespassado pelo frio da manhã... Os meus pés gelam a cada beijo das ondas e marcam a areia virgem nesta vespertina manhã. 
Na minha alma a carência de ti. 
O desejo de um beijo na magia de uma noite encantada, a tua voz profunda a extasiar-me e um olhar que entre o terno e o doce me diz tudo o que preciso. 
O teu corpo comigo. A tua alma na minha.
A saudade é controlável e  passageira... A fome de ti é desespero. 
E cada palavra trocada, cada confissão realizada, cada gesto e cada silêncio foram drogas para um espírito que se perdeu por ti. 
Do outro lado do mundo. Longe da minha mão.